"Este prémio é muito importante para mim, não só para mim, mas para todas as mulheres do meu país, porque no meu país, gerir um meio de comunicação social ou trabalhar na imprensa é muito perigoso, muito difícil", disse a jornalista, que já foi presa várias vezes, em entrevista à agência France-Presse.
Meaza Mohamed foi homenageada na quarta-feira, numa cerimónia na Casa Branca, pela primeira-dama, Jill Biden, e pelo secretário de Estado, Antony Blinken, juntamente com mais 10 mulheres aclamadas pela sua "coragem".
"Prenderam-me três vezes no espaço de um ano. Encerraram o meu meio de comunicação social e levaram tudo o que havia no meu gabinete. Não só eu, mas outros gestores da imprensa e jornalistas enfrentaram o mesmo problema", disse Meaza Mohammed, sublinhando a dificuldade "de falar em nome de outra opinião, de contar o outro lado da história".
A jornalista recordou que o acesso à Internet foi novamente restringido durante um mês na Etiópia e que está a ter dificuldades em transmitir o seu próprio canal na plataforma de partilha de vídeos YouTube.
Várias redes sociais, incluindo Facebook, Telegram, TikTok e Youtube, têm estado inacessíveis na Etiópia desde 09 de fevereiro e houve apelos a manifestações por parte de líderes da igreja ortodoxa, que criticam o Governo por interferir em assuntos religiosos.
O conflito abrandou desde então, mas o acesso às redes sociais não foi restabelecido.
A homenagem dos EUA chegou pouco antes de uma viagem de Antony Blinken, na próxima semana, a Adis Abeba.
Meaza Mohamed tornou-se conhecida pela sua luta pela verdade sobre o rapto, em finais de 2019, de uma dezena de estudantes do grupo étnico Amhara, o segundo maior do país, cujo destino ainda é desconhecido.
Descrita como uma jornalista genuinamente corajosa, Meaza Mohammed foi também destacada pelas suas posições pró-Amhara, num país de 80 grupos étnicos e onde a questão da identidade se tornou incendiária nos últimos anos.
Na entrevista à France-Presse, Meaza Mohamed denunciou a "limpeza étnica" dos Amhara, que foram durante muito tempo a elite económica, política e cultural da Etiópia, e a sua conta na rede social Twitter proclama "Parem com o genocídio dos Amhara".
A questão "genocídio de Amhara", transmitida pelos nacionalistas do grupo, tende a apresentar os Amhara como as únicas vítimas dos numerosos conflitos e violência, sobretudo relacionados com o acesso a áreas aráveis, que abalam a Etiópia, um país de 120 milhões de habitantes.
Segundo a agência noticiosa, esquece ainda o facto de as milícias de "autodefesa" de Amhara, os Fano, serem acusadas de numerosos abusos e violações dos direitos humanos.
Meaza Mohammed defende-se e diz que quer "tentar ser uma voz para todos igualmente".
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A jornalista recordou que o acesso à Internet foi novamente restringido durante um mês na Etiópia e que está a ter dificuldades em transmitir o seu próprio canal na plataforma de partilha de vídeos YouTube.
Várias redes sociais, incluindo Facebook, Telegram, TikTok e Youtube, têm estado inacessíveis na Etiópia desde 09 de fevereiro e houve apelos a manifestações por parte de líderes da igreja ortodoxa, que criticam o Governo por interferir em assuntos religiosos.
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